segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Astronomy Picture of the Week: O Disco Protoplanetário de HL Tauri por ALMA

A minha vontade é de compartilhas todas as imagens do Astronomy Picture of the Day, mas acabo escolhendo só a minha favorita para postar aqui. 
Essa semana em específico foi bem difícil, fiquei dividida entre a imagem abaixo, uma imagem de nebulosas na região de Órion e também imagens do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Meu critério final de escolha foi o fato de que ainda teremos muitos outros APODs sobre o cometa e a missão Rosetta e o de que fotos de nebulosa sempre aparecem por aí. Já a imagem abaixo, apesar de parecer sem graça, é espetacular quando pensamos em que isso é a formação de um sistema planetário como o Sistema Solar. Explico mais abaixo sobre isso.

Para ver texto e imagem originais, clique aqui.


Tradução porca feita por mim:
"Por quê esse disco gigante tem falhas? A excitante e provável resposta é: planetas. Um mistério é como planetas massivos o suficiente para criar essas falhas formaram-se tão rapidamente, já que a estrela HL Tauri tem somente cera de um milhão de anos. A imagem onde essas falhas foram descobertas foram obtidas com o novo Atacama Large Milimeter Array (ALMA) de telescópios no Chile. ALMA fotografou o disco protoplanetário, que ocupa cerca de 1500 minutos luz  de diâmetro, em detalhes sem precedentes, com resolução menor do que 40 minutos luz. A luz de baixa energia utilizada pelo ALMA também foi capaz de ver através de uma névoa de gás e poeira. O sistema HL Tauri está distante cerca de 450 anos luz da Terra. Estudar HL Tauri, pode nos dar dicas sobre como o nosso próprio Sistema Solar formou e evoluiu."

O ALMA é um rádio-observatório, ou seja, um observatório que ao invés de observar a luz visível que vem do Universo, observa ondas de Rádio, invisíveis aos nossos olhos. É composto por dezenas de antenas no deserto do Atacama no Chile.



Sistemas planetários como o nosso Sistema Solar, surgem de grandes nuvens de gás espalhadas pelo cosmos, chamadas de Nebulosas. É possível observar muitas dessas regiões em uma noite escura e paciência. Instabilidades nessas nuvens faz com que haja um acúmulo de massa em uma certa região. Esse "bolinho" de massa cresce ao atrair mais e mais partículas de regiões próximas. A parte mais densa de toda essa bagunça forma a estrela, que produz energia a partir da fusão nuclear quando atinge temperatura e pressão altíssimas em seu interior. 
Ao redor da estrela em formação, no chamado disco protoplanetário, quantidades menores de massa acumulam-se e dão origem aos planetas, como o nosso. Na região onde os planetas em formação estão caminhando, aparecem essas falhas, assim como aparecem falhas nas regiões dos anéis de Saturno onde há luas, como eu disse nesse post da semana passada. O resumo animado dessa lenga lenga que eu falei, está representada nesse vídeo, dá para ativar as legendas



Até então, as imagens que tínhamos para comprovar tudo o que falei, e que obviamente não fui eu que inventei, eram coisas desse tipo abaixo. Ambas são imagens de formação estelar na Nebulosa de Órion (fica ao lado das famosas Três Marias, ou o Cinturão de Órion). A primeira mostra  algumas regiões mais densas na nuvem, e a segunda dá um zoom naquela manchinha escura à direita da primeira imagem. Nela é possível ver claramente um disco protoplanetário, mas não com a riqueza de detalhes da imagem obtida pelo ALMA.


Ter uma imagem tão rica de detalhes como a do ALMA, comprova a teoria da formação planetária, e quem sabe não nos ajude a entender como o nosso próprio Sistema Solar se formou!



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